
Meu pai foi por vários anos gerente de um loteamento urbano alguns quilômetros depois de Dracena. Essa atividade o levada a estar sempre viajando em direção àquele lugar, denominado Iandara.
Éramos membros da Igreja Presbiteriana e o conhecimento que tínhamos com uma vasta gama de Pastores das mais diferentes cidades do Brasil era bastante grande e bem próxima.
Pastoreava a Igreja na ocasião em tela – lá pelo ano de 1945 – um Pastor famoso, que havia sido, entre outras coisas, missionário em Portugal: o Reverendo Natanael Emerich.
A história de nossa família com ele era bastante interessante. Sua esposa, Dª Rosinha, era excelente professora de Inglês e com ela aprendi a base do pouco Inglês que falo hoje.
E a aproximação aumentou ainda mais quando a minha família foi passar uns dias no tal loteamento Iandara. O Pastor Emerich foi convidado para conhecer o empreendimento.
A nossa hospedagem era bastante precária, tendo apenas o suficiente para comer, dormir e o básico em geral.
Logo em seguida veio a idéia: filho – disse-me meu pai, - o Reverendo quer caçar alguma coisa. Por que você não vai com ele até a fazenda Marrequinha para dar uns tiros de espingarda e, quem sabe, trazer alguma caça?
A Fazenda Marrequinha era uma vastíssima área para gado, pertencente ao milionário que financiava o loteamento: Rodolfo Costa.
E fomos. Tomamos um ônibus em Iandara e percorremos alguns poucos quilômetros até o “ponto de caça”.
Logo de início, nem sei bem por quê, o Pastor me disse que eu o estava atrapalhando.
- Vamos fazer o seguinte – disse ele. – Você vai pra um lado que eu vou pro outro.
Não sei para onde ele foi. Eu, na verdade, nada vi que merecesse ser caçado. Saí andando por ali.
De repente, ouvi um tipo de grito, como se fosse um nambu. Fui em sua direção. Era onde havia um tufo de capim alto. Novamente o grito.
- Ah, esse eu mato – disse para mim mesmo.
Peguei a espingarda (com cartuchos de chumbinhos), olhei para o lado do piado, apontei e...
Ai, meu Deus! – De repente aparece na minha frente o Reverendo Emerich, ele próprio autor dos piados, saindo do meio da folhagem.
Não atirei, é lógico, quando o vi, e livrei-o de levar um belo tiro que certamente não o mataria, mas podia deixar pequenas marcas de chumbinho...