Os bons tempos do rádio ...

 

Tempos felizes aqueles... Especialmente sem o fanatismo dos auditórios das emissoras de TV.

Não havia televisão e muito menos CD, DVD, Internet. Creio que nem fita de VHS existia nos idos de 1945, 1946...

E, também, não estou ligado a nenhum "site" sobre o assunto. As informações que estou passando são coisa minha, da minha cabeça. Não obedecem, sequer, a uma narrativa lógica.

Lembro-me ainda, e muito bem. E não me importo de se tratar de coisas do passado, do tempo que se "amarrava cachorro com lingüiça".

Eu morava em Marília, interior do Estado e era muito ligado ao rádio.

Para começar, a Radio Clube de Marília iniciava o seu dia às 7:30 da manhã, com música: "A Dança das Horas", de Ponchieli – mas só a primeira parte do disco (daqueles discos de vinil de 12 polegadas, que era o que existia). A segunda parte era tocada às 22:30, ou 23:00 horas, para "fechar" a rádio.

Hoje em dia, nem as emissoras de rádio nem as de TV "encerram" suas programações: ficam acessíveis vinte e quatro horas por dia. Por isso mesmo criaram e continuam criando uma população voltada para a mídia, tornando muitos, especialmente crianças, excessivamente ligadas à TV.

Em seguida vinham programas de música: brasileira, internacional, jazz, etc.

E eu, quando podia e em horários fora do escolar, ficava ligado na Rádio Clube.

Mas não era só. Havia a Rádio Nacional do Rio de Janeiro que era, digamos, a Rede Globo daquele tempo.

Não vou poder descrever tudo que ouvi e aprendi, mas, dentre os programas musicais, não perdia a "Lira de Chopotó" (banda sinfônica), "Encontro com Francisco Alves", todos os domingos exatamente ao meio-dia. E outros com Orlando Silva, Carlos Galhardo, Ângela Marilia, Emilinha Borba, Adelaide Chiozo, Nuno Roland e várias dezenas de cantores, cantoras, instrumentistas e orquestras (estas, como a de Lyrio Panicali, Hercole Varetto, Léo Perachi...), que acabaram sendo conhecidos em todo o Brasil.

A esposa do Léo Perachi, Lenita Bruno, foi grande soprano e quem primeiro cantou "Eu Sei Que Vou Te Amar", do Tom Jobim.

Ah!, que saudade de "Um Milhão de Melodias", com orquestra ao vivo e, de quebra, a voz do César Ladeira. Ou "Gente Que Brilha", que homenageava pessoas que se destacaram no cenário nacional. Patrocinada por quem? – Nada menos que Bombril...

Dos programas de auditório – assistidos como se estivessem ao vivo, mas sem imagem, só som – como os de Almirante, César de Alencar... – E, para quem morasse ou estivesse de viagem ao Rio - tinha auditórios para quem quisesse participar.

E as novelas... "O Direito de Nascer", "Em Busca da Felicidade", dentre outras. A voz de Celso Guimarães - ai... – poderia morrer só de ouvi-lo.

Eu me recordo de que toda a programação era feita com muito esmero e muita arte.  Claro que hoje, mercê da tecnologia e da formação profissional, os programas de TV são feitos também com muito capricho.

Ah! – E tinha o Heron Domingues, o "Repórter Esso, o primeiro a dar as últimas", que atuou durante toda a Segunda Guerra Mundial, trazendo aos ouvintes as notícias recebidas da Europa por rádio e por telégrafo.

Além dos programas musicais, o que eu mais gostava eram os seriados (uma vez por semana), como "O Homem Pássaro", interpretado pelo João Zacharias, além de "O Sombra", "O Fantasma"...

A migração para a televisão foi rápida e normal. No interior a coisa demorou mais, por falta de antenas transmissoras.

Aí então é que vieram Jerry Adriani, Lino & Leno, Rony Von e outros, já na fase da televisão, e com eles Flávio Cavalcanti, Walter Forster, e também as novelas, como "O Bem Amado"...

 

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