Bodas de diamante

 

Já relatei em outra página o pitoresco telefonema ("Amizades antigas") recebido de meus amigos de mais de meio século – o Roberto e a Marilda, que pediam meu endereço para mandar-me convite.

Pois bem: chegou finalmente o dia da comemoração dos sessenta anos de casados, objeto do citado convite.

O acontecimento se deu no salão social do “Condomínio San Conrado”, localizado em Sousas, uma pequena cidade na região de Campinas.

A esse encontro fomos, eu e meu filho mais velho.

Após a cerimônia em que trouxeram a Palavra dois ou três pastores evangélicos, comovido cheguei-me à mesa dos homenageados, ansiosamente antevendo o momento de vê-los de perto.

Eis-los ali na minha frente, os dois. Emocionados nos cumprimentamos, nos abraçamos e trocamos algumas palavras.

Percebi que todos estavam tentando se aproximar do casal para os cumprimentos. Assim, voltei a sentar-me na cadeira onde estava.

Mas por pouco tempo: fomos chamados para nos sentarmos à mesa dos homenageados.

Pudera, além de nos conhecermos há tanto tempo, vivemos muito próximos tanto nos cultos como na recreação (jogos de tênis de mesa e de vôlei, piqueniques, atletismo...).

Roberto era carismático – o que pensava fazer dava certo. Tornou-se na Igreja Presbiteriana de Marília o líder dos jovens e dos adolescentes. Aonde ele ia, a “turma” ia atrás.

E eu tive a ventura de participar desse grupo. Boa parte daqueles jovens cantava no coral da Igreja ou eram componentes de duetos, quartetos. Traziam inato o dom da música. – Eis a razão, quem sabe, de tanta alegria no reencontro.

Bem, falemos deles - os dois.

Ela, a Marilda, já com 78 anos, em nada mudou – apenas, a mais, algumas rugas no rosto e uns poucos cabelos brancos.

Já o Roberto, eu o achei bastante mudado. Adquiriu nas faces um tom rosado, bem diferente daquele moreninho de outrora, talvez provocado por medicamentos.

Mas essa foi, com certeza, a mudança menor: o diabetes minou a sua resistência, obrigando-o a amputar uma das pernas, em razão de uma gangrena que avançava.

Além disso, está com um dos braços meio paralisado em razão de um AVC leve que o acometeu recentemente.

Nada disso, porém, o impediu de conversar bastante.

Disse alguém que os velhos, ao contrário do que se diz, não têm mais experiência do que os jovens; o que aqueles têm são experiências repetidas mais vezes.

Engano. Os jovens vão ter as experiências que pessoas com a nossa idade tiveram depois que viverem anos suficientes de sofrimentos e de alegrias.

 

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