
A história é antiga. Tão antiga quanto a Bíblia.
O profeta Balaão – aquele que vacilou e quase desobedeceu às ordens de Deus para favorecer o rei Balaque – acabou por trazer a promessa da bênção eterna sobre o povo israelita, nas seguintes palavras:- ‘Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso denunciar a quem o Senhor não denunciou?’ (Números 23:8) e também ‘Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá? Recebi ordem para abençoar. Ele abençoou, não o posso revogar’ (Números 23:19-20).
Para aqueles que acreditam no texto sagrado, a bênção dada por Deus é para sempre. O Senhor abençoou os patriarcas dos hebreus – Abraão, Isaque e Jacó, prometendo reiteradas vezes que sempre estaria com eles e os livraria de todos os males e dos ataques dos inimigos.
Quando Deus experimentou a fé de Abraão, pedindo o sacrifício do seu único filho Isaque, fez-lhe a grande promessa: ‘Jurei, por mim mesmo, diz o Senhor, porquanto você fez isso e não me negou seu único filho, que deveras o abençoarei e certamente multiplicarei a sua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a sua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto você obedeceu à minha voz’ (Gênesis 22:16-18).
E por aí vai. São inúmeras as passagens em que o Senhor reafirma a bênção sobre Israel, “para sempre”.
Deus esteve com Moisés como guia do povo. Esteve também com Josué na conquista da terra – quando muitos inimigos foram subjugados e mortos. Em toda a trajetória dos hebreus, a vitória lhes foi dada conforme a promessa. Até os dias de hoje, como ocorreu na ‘guerra dos seis dias’, nas invasões da Palestina e tantos outros episódios envolvendo o povo judeu.
Penso que há duas vertentes nessa afirmação: de um lado, a grande responsabilidade do povo judeu, que precisa saber usar com sabedoria e de maneira altruísta aquilo que recebeu de graça do Senhor (não se esqueçam: totalmente 'de graça'), sem preconceito e sem discriminação. De outro, que pensem na possibilidade de perder essa regalia.
Ora, se Deus, segundo relato do Gênesis, arrependeu-se de ter criado o homem e destruiu toda a raça humana de sobre a terra, devem os judeus ‘fazer figa’ ou ‘cruzar os dedos’ para que isso não volte a ocorrer.
Outra coisa a ser ponderada é o reverso da medalha, ou seja, a maldição. Deus, ao dar aos judeus uma legislação, colocou ‘a bênção e a maldição’ lado a lado. Veja as passagens abaixo.
‘Eis que, hoje, eu ponho diante de vocês a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirem os mandamentos do Senhor Deus, que hoje ordeno, e a maldição, se não os cumprirem, mas se desviarem do caminho que hoje ordeno, para seguirem outros deuses que não conhecem’ (Deuteronômio 11:26-28).
‘Pois vocês vão passar o Jordão para entrar e possuir a terra que lhes dá o Senhor Deus. Irão possuí-la e habitar nela. Tenham, pois, cuidado em cumprir todos os estatutos e os juízos que eu hoje prescrevo’ (Deuteronômio 11: 31-32).
‘Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra você, que lhe propus a vida e a morte a bênção e a maldição. Escolha, pois, a vida, para que viva, você e sua descendência’ (Deuteronômio 30:19 19).
Ainda outras passagens bíblicas, como Deuteronômio 30:1 e Josué 8:34, reforçam o vaticínio.
A questão é: devem, ou não, os judeus contar com a bênção eterna? E a título de quê?
Parece que esse ‘escudo’, esse anteparo (ninguém desejaria maior que esse!) está desvirtuando o amor de Deus, quando diz:- “De longe vi o Senhor dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí" (Jeremias 31:3).
Se o amor de Deus é universal e não tem fronteiras raciais ou religiosas nem ideológicas, como explicar esse ‘amor’ pelo povo de Israel, que rejeitou o Cristo?
A verdade é que o povo oprimido da década de 40 e 50 passou agora a opressor (veja 'De Davi a Golias' do Prêmio Nobel José Saramago).
E ‘a bênção’? Continua intacta, beneficiando o opressor da atualidade?
(*) "Por causa da guerra iniciou-se a fuga dos palestinos das suas casas. Como resultado, aumentou o número de refugiados na Jordânia e no Egito. O conflito criou 350.000 refugiados, que foram rejeitados pelos estados árabes vizinhos. Porém, mais de 1300 dos palestinos que ficaram na Cisjordânia e Faixa de Gaza permaneceram sob o controle de Israel." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Seis_Dias)