
(Mateus 22:17-21 / Lucas 20:21-25)
'Tempietto de Bramante' - Roma
O objetivo deste artigo é, com base no texto bíblico acima, tecer algumas considerações sobre democracia e autoridade.
A democracia, pelo seu próprio nome, é um sistema de governo do povo, pelo povo e para o povo, ou seja, o seu principal objetivo é atender às necessidades da população, ouvindo, dentro do possível, os seus reclamos.
Inicialmente, é bom lembrar que há uma distinção entre ‘povo’, ‘nação’ e ‘estado’.
Povo é o conjunto de pessoas que compõem um grupo, sem considerar as suas afinidades. Nação é o povo, consideradas as suas afinidades, gostos, manifestações culturais e artísticas, cor, língua, etc. Estado é a nação politicamente organizada, com instituições necessárias ao seu andamento e desenvolvimento, como o poder executivo, o legislativo e o judiciário,independentes entre si e com funções claramente definidas na Constituição Federal.
Diante disso, não há poder acima da Constituição. É o que caracteriza o Estado de Direito, em contraposição ao estado totalitário, que é extra-constituição ou superior à Constituição.
Jesus Cristo ensinou o máximo respeito aos governantes. Certa ocasião (Mateus 22:15-22), Jesus foi inquirido pelos discípulos sobre esse assunto. Os fariseus estavam confabulando como o pegariam em alguma palavra e lhe enviaram seus discípulos, juntamente com os chamados ‘herodianos’,para o interrogar.
— Mestre, diga: devemos pagar tributo a César, ou não?
César, como sabemos, era o imperador de Roma, sob cujo domínio Jerusalém se encontrava, sendo Herodes o tetrarca da Galiléia.
Jesus percebeu o seu objetivo e a sua malícia, pois queriam colocá-lo em situação difícil perante as autoridades.
— Mostrem-me uma moeda usada para pagar o tributo.
Mostraram-lhe um denário e ele perguntou: De quem é esta efígie e inscrição?
— De César – responderam.
— Dêem então a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Diante da resposta, ficaram admirados e nada puderam dizer.
Em uma outra ocasião, estando Jesus cercado por seus discípulos, os cobradores de impostos perguntaram a Pedro: O seu mestre não paga as didracmas?
— Claro que sim – foi a resposta.
Assim, já na casa de Pedro, Jesus lhe perguntou (Mateus 17:24-27): Que lhe parece, Simão? De quem os reis da terra cobram impostos ou tributos? Dos filhos ou dos estrangeiros?
— Dos estrangeiros, respondeu Pedro.
— Logo, Pedro, os filhos são isentos. Mas para que não os escandalizemos, vá até o mar, lance o anzol, tire o primeiro peixe que subir. Abrindo-lhe a boca, encontrará um estáter. Dê-o aos cobradores por mim e por você.
Jesus Cristo sabia fazer essa distinção e respeitava a legislação vigente. Entretanto, por não entenderem a missão do Mestre, os governantes do seu tempo várias vezes quiseram matá-lo – e acabaram por fazê-lo, – por temerem que ele lhes usurpasse a autoridade, já que afirmara ter vindo ‘para restaurar o reino de Israel’ e que lhe ‘havia sido dada toda autoridade nos céus e na terra’.
O que a Bíblia recomenda a respeito das autoridades constituídas é: (Romanos 13:1-3) “Todos estejam sujeitos às autoridades, porque não há autoridade que não venha de Deus e as que existem foram ordenadas por Deus. Quem resiste à autoridade resiste à ordenação divina. Os magistrados não devem ser motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal”.
A epístola de Paulo a Tito, em seu capítulo 3:1, adverte a todos ‘que estejam sujeitos aos governadores e autoridades, que sejam obedientes, e estejam preparados para toda boa obra’.
Já Pedro, em sua primeira epístola,capítulo 2:13-16, diz: Sujeitem-se a toda autoridade humana por amor do Senhor, quer ao rei, como soberano, quer aos governadores.
Está cada vez mais difícil encontrar um lugar em todo o planeta em que se possa viver em sossego, como menciona Paulo em sua primeira carta a Timóteo (2:1-2): Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada. Isso porque se tornou prática comum desrespeitar as leis e as autoridades, conseguir cargos, prestígio e dinheiro de maneira desonesta.
Como isso muitas vezes ocorre no próprio seio das autoridades, fica ainda mais difícil respeitá-las.
Além disso, os movimentos populares reivindicatórios de direitos - muitas vezes transnacionais - têm ultrapassado os seus próprios limites, criando situações de desespero e, até, desestabilizando governos.
Resta-nos o dever de cumprir a nossa parte como cidadãos e – isso você pode fazer – orar por todos os que estão no exercício de autoridade, por menor que seja esta, para que Deus os conserve íntegros, quer física ou moralmente.