Automatizando a oração

 

Jesus Cristo, ao ensinar aos discípulos o significado, o poder e as formas de oração, disse que “não é por muito falar que sereis ouvidos”.

E assim instruiu, no versículo 7 do capítulo 6 de Mateus: “E, orando, não useis de vãs repetições, como fazem os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos”.

Enfim, a nossa conversa, através da oração, com o nosso Deus, não pode se constituir em repetição mecânica. E a orientação de Jesus é que o façamos “no quarto, fechando a porta atrás de nós”. Sabe, é para que a conversa seja somente entre nós e o nosso Deus.

Dessa maneira, as rezas usadas na Igreja Romana, repetitivas e extensas, os terços, etc., não são a maneira correta para com Deus.

Tenho visto senhoras respeitosas conversando em uma roda de amigas, com o terço na mão e desfiando o rosário, em atitude de quem está orando (ou rezando). Não é a intenção na atitude, mas o fato de que dessa maneira a oração fica mecânica e repetitiva.

No Oriente existem as famosas “rodas” de oração. São rodas grandes, geralmente de pedra, de dois ou três metros de diâmetro, onde o adepto coloca um papel com os pedidos escritos e, em seguida, impulsiona a roda para ela girar. Cada volta representa uma oração. Assim, quanto mais força puser no impulso da roda, mais vezes a oração “sobe”.

Veja este trecho de uma reportagem escrita por Steve Weizman:

“Durante séculos os judeus depositaram orações escritas em pedaços de papel nos vãos ancestrais entre as pedras do Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém. Nos últimos anos, as orações puderam ser enviadas por fax ou e-mail - e, agora, também podem ser mandadas via Twitter. O Muro das Lamentações acaba de receber seu próprio endereço na rede de microblogs, permitindo que fiéis de todo o mundo deixem suas orações entre as pedras do muro de 2 mil anos sem deixar o conforto de seus lares”.

Essa afirmação demonstra que o costume não é recente e nem a proximidade da figura do Mestre foi suficiente para que aprendessem.

Quer dizer: você roda uma pedra, ou, mais modernamente, usa e-mail, ou um celular ou o Twitter e pensa que Deus vai ouvir isso.

É bem verdade que o que vale é a intenção. Se Deus assim entender, vai, sim, ouvir o que você diz, mas não foi isso que Jesus ensinou.

 

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