
(1800 a.C.)
Como a maioria dos povos que reinaram no antigo Oriente Médio, os Assírios, primeiramente um povo de camponeses e guerreiros rudes, tiveram a justiça amplamente baseada no código promulgado no século XVIII a.C, pelo rei Hamurabi, da Babilônia.
A Assíria era essencialmente uma nação de servos que viviam presos à terra que cultivavam; eles podiam ser vendidos juntamente com a propriedade. Deviam obediência à vila mais próxima. Esta, por sua vez, estava presa à cidade pela obrigação de pagar impostos, participar nos festivais religiosos e obedecer aos mandatos administrativos. As cidades - dentre as quais as principais eram Assur, Nínive, Erbil e Nimrod - estavam sob a autoridade do rei.
O rei assírio possuía poder absoluto sobre todos as áreas do governo - econômica, diplomática, política, militar e religiosa. Embora reconhecido como humano, acreditava-se que fosse um enviado dos deuses, em especial Assur, a divindade principal.
A agressão militar era legitimada pela religião assíria: conquistar era a missão divina dos reis. Além da característica de conquistadores, os assírios eram violentos e costumavam vangloriar-se dos atos sangrentos, faziam do terror e da atrocidade instrumentos de política externa.
O fiho de Salmanasar I, Tukulti-Nunurta I, cujo reinado começou em 1244 a.C., expandiu o território dos assírios que à época já era de mais de 30 mil metros quadrados, que iam dos contrafortes dos Zagros até o Eufrades. Tukulti-Nunurta I escravizou e levou para Assur, presos com pesadas correntes de cobre no pescoço, os reis de Nairi que comandavam as tribos que viviam nos Zagros, pois estas durante muitos anos vinham atacando a fronteira nordestes da Assíria. Tempos depois esses reis tiveram permissão para voltar para casa como vassalos.
Quando o rei babilônico Kashtiliash resolveu atacar a Assíria, Tukulti-Nunurta venceu o exército babilônico e capturou Kashtiliash.
Quando mais tarde a Babilônia revoltou-se com êxito, acreditou-se nos altos círculos assírios que os deuses pilhados anteriormente estavam demonstrando sua ira contra as iniqüidades de Tukulti-Ninurta. E assim, de acordo com uma crônica, o rei assírio, que "tinha colocado sua mão maldosa sobre a Babilônia", teve um triste fim: seu filho e os nobres da Assíria, rebelaram-se contra ele e arrancaram-no do trono. Aprisionaram-no e mataram-no com uma espada.
No início do século IX a.C. os Assírios estavam em marcha para o oeste, levando armas assírias ao Mediterrâneo pela primeira vez. O imperador era Assurnasirpal II (885-860 a.C.) e este realizaria uma campanha tão terrível em violência que eclipsaria os feitos sangrentos de seus antepassados.
O próprio Assurnasirpal II vangloriava-se do grande morticínio entre os guerreiros inimigos.
A política de provocar o terror entre os povos subjugados era comum entre os assírios e os episódios narrados por Assurnasirpal II dão uma idéia das formas de morte, como pena, utilizadas pelo povo Assírio: como o empalamento que era um suplício antigo que consistia em espetar o condenado em uma estaca, pelo ânus, deixando-o assim até morrer; além da morte na fogueira, as mutilações e o esfolamento; torturas mais tarde também utilizadas na Pérsia.
Assurbanipal foi o último grande rei dos assírios. Durante o seu reinado (668 - 627 a.C.), a Assíria se tornou a primeira potência mundial. Seu império incluía a Babilônia, a Pérsia, a Síria e o Egito.
No fim do seu reinado, porém, ou logo depois, o poderio da Assíria desmoronou. Uma década mais tarde o império caía em mãos de babilônios e persas.
Assurbanipal era filho de Assaradão (ou Asarhaddão), este que morreu (669 a.C.) tentando reconquistar Mênfis, a capital egípcia que havia se rebelado logo após ser conquistada. Assurbanipal não fugiu a regra dos seus antecessores: as conquistas e o crescimento das fronteiras da Assíria eram seus maiores objetivos, sempre realizados de forma violenta, mas orgulhando-se das carnificinas.
Após a morte de seu pai, o império assírio foi dividido, sendo que seu irmão Chamás-Chum-Uquim reinaria sobre a Babilônia e Assurbanipal governaria o resto. Assurbanipal reconquistou Mênfis e estendeu o domínio assírio para o sul do Egito, até Tebas. Mas Chamás-Chum-Uquim, com ciúmes, por volta de 652 a.C. resolveu atacar uma tropa de Assurbanipal, perto da Babilônia. Logo deflagrou-se uma guerra civil, que só terminou depois de 3 anos de cerco na Babilônia.
Como seus antepassados, Assurbanipal vangloriava-se de seus feitos sangrentos. Após rechaçar uma rebelião na Babilônia, o monarca deixou registrada a atitude punitiva severa que teve contra o inimigo.
Apesar da ferocidade, o rei Assurbanipal seria lembrado como o estudioso que se gabava de sua própria instrução, e que criou a grande biblioteca de Nínive com uma coletânea com obras em caracteres cuneiformes, hoje responsável por muito do que se sabe dos povos da Mesopotâmia. Durante o seu reinado, que durou cerca de quarenta anos a técnica do baixo-relevo atingiu grandes proporções. As fachadas e as salas dos palácios estavam, a perder de vista, cobertas de tapeçarias de pedra.
(http://www.internext.com.br/valois/pena/668ac.htm)