Assando um pão

 

Achava-se, certa vez, a esposa de um escritor, assando um pão para o marido e, como fosse deficiente o calor, viu-se obrigada a ficar junto ao forno grande parte da noite, sem que o pão assasse. Em dado momento perdeu a paciência e exclamou:

- Por que hei de ser obrigada a ocupar-me deste trabalho?

Mas retratou-se incontinenti e considerou:

"Porventura o famoso Cellini não ficou acordado, uma noite inteira, junto ao forno, onde cozinhava a célebre Perséia? Ora, qual é a diferença entre o escultor que cozinha a sua estátua e uma esposa que assa um pão para o marido? Nenhuma. Mas é preciso que ambos trabalhem com entusiasmo e amor".

E tinha razão a esposa do escritor.

O trabalho honrado, seja qual for, nobilita o homem e engrandece o caráter. Mas é preciso trabalhar com alma. Tanto o artista de fama como um modesto padeiro são dignos de louvor - uma vez que ambos trabalhem com alma.

Só é digno de respeito quem se comporta nas pequenas coisas tão conscientemente como nas grandes.

O trabalho reage sobre a nossa alma e saúde como se fosse um tônico natural. É o vinho bom e generoso, o fruto cheio de vitaminas, o ar saudável do mar, o clima da serra, o perfume balsâmico.

Se apreciarmos o nosso trabalho, se nos aplicamos a uma obra que nos agrada, que convém ao nosso temperamento e aos nossos gostos profundos, a tarefa realizada deixa de ser propriamente um enfado para converter-se num prazer.

O trabalho é duplamente moral; porque, trabalhando, somos úteis a nós e aos outros. Nada há verdadeiramente valioso, que se possa obter sem trabalho e sem sacrifício.

O trabalho dá alegria por fora e serenidade por dentro. O trabalho é uma das fontes mais seguras da felicidade.

 

(“Lendas do Céu e da Terra”)

 

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