
A Alegoria do Profeta Natã
‘Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade. Apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões; e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei e fiz o que aos teus olhos é mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares.’ (Salmo 51:1-5).
O que, exatamente, leva o homem ao arrependimento?
Não é muito fácil responder. Muitas vezes uma retrospecção, em que a própria pessoa se sinta o causador de algum mal. Outras vezes pena, dó, da pessoa ofendida.
Mas pode ser também que o arrependimento só aflore depois que o ofensor, descoberto por assim dizer, não tenha mais escapatória a não ser reconhecer o mal praticado.
Os noticiários têm dado conta de pessoas que, depois de descobertas e acusadas, assumem atitudes que são – ou simulam ser – de arrependimento.
Com o rei Davi aconteceu algo parecido.
Possuidor de praticamente tudo que porventura desejasse, Davi, não contente com o que tinha, cobiçou uma mulher – Bate-Seba, a esposa do capitão Urias. Logo ele, que podia possuir quantas mulheres quisesse.
E ele manteve relações sexuais com ela, engravidando-a.
Em seguida, com a intenção de se desfazer definitivamente de Urias, decidiu mandá-lo para a guerra, com a recomendação a Joabe, seu comandante-em-chefe, de colocá-lo na frente, onde se travavam as lutas. Com isso, ocorreu a morte de Urias em batalha.
Davi então assumiu Bate-Seba como sua esposa. Algum tempo depois nasceu-lhes um filho que, no entanto, não sobreviveu.
Aqui cabe fazer referência ao profeta Natã que, através de uma alegoria, conforme registrado no II Livro de Samuel, capítulo 12, fez ver ao rei o seu pecado e o desagrado de Deus à sua atitude. A própria morte do recém-nascido já era desígnio de Deus.
Nessa alegoria, Natã referia-se a Bate-Seba como uma ovelha do rebanho de um homem pobre, que foi enganado por um moço rico – o rei Davi. É bom lembrar que um rei como Davi, com os poderes discricionários que possuía, fazia o que bem entendia, sem que necessariamente fosse às escondidas.
Então – e só então – veio o arrependimento: era muito pesado para o rei carregar fatos tão fortes, como uma relação sexual ilícita, a morte de um capitão de exército e também a morte de seu próprio filho. Assim, brotaram do profundo de seu coração as palavras cheias de angústia que compõem o Salmo 51. Era o arrependimento que o conduzia aos pés do Senhor, que ouviu o seu clamor e a sua confissão, perdoou-o e continuou a abençoá-lo, inclusive dando – a ele com Bate-Seba – outro filho, que seria o rei Salomão.
Isso é prova, caro amigo, que o Senhor está pronto a perdoar – setenta vezes sete, no dizer de Jesus Cristo, se for preciso. Se for este o seu caso, basta que você vá até Ele e exponha com sinceridade a sua situação.
Mas, por que ‘setenta vezes sete’ (representativo da infinidade) e não apenas uma só vez?
Bem, aí já são coisas da misericórdia de Deus. Confie n’Ele.