
Ainda me lembro, como se fosse hoje - embora o episódio tenha acontecido por volta de 1975 - o turbilhão de acontecimentos que culminaram com a passagem do apartamento da posse do antigo dono para a nossa. Verdadeira batalha campal.
O apartamento não era apenas um, mas três transformados em um. Bem grande e satisfazendo às nossas necessidades. Em princípio nem acreditamos naquilo, tudo estava parecendo muito fácil!
O negócio fora feito com base em contrato particular, em que o antigo dono deveria ter passado o apartamento para nós. Mas não foi bem o que aconteceu: recebemos contrato de pessoa diferente do dono. E não sabíamos, nunca imaginamos que estávamos prestes a ser vítimas de estelionato.
Sim, porque, por bem ou por mal, estávamos com contrato firmado com pessoa diferente do antigo proprietário.
E agora?
Não estávamos pagando as prestações pactuadas porque o combinado era que somente começaríamos a pagar após apresentados os documentos indispensáveis à transferência. Além disso, havia contra os antigos proprietários uma acusação de fraude e estelionato.
E o dono, defendendo desesperadamente os seus direitos, dizia, referindo-se a mim: "Não tenho filho dessa idade!".
A coisa ocorreu assim: vimos, gostamos, mostramo-nos interessados. Minha esposa veio, entrou e, literalmente, tomou posse. Trouxe algumas roupas, sapatos, objetos de cozinha e, virtualmente, nunca mais saiu, no que não foi obstada pelos proprietários.
Eles não sabiam o que fazer quando ela disse que passaria a morar no apartamento.
Pra quê? Quem cala consente: desde que dentro do imóvel, a coisa se resumia em passar a escritura.
Os documentos necessários demoravam – e nós trouxemos a mudança e nos aboletamos, passando a usufruir de tudo nele. Encetamos uma exploração de todo o potencial do imóvel. Três quartos, duas salas (e que salas!), copa, cozinha, área de serviço, três banheiros. Ufa!... Era o que havia de...
Bem, quero ressalvar que nunca fiz nada de irregular ou ilegal. Desde, porém, que não podíamos receber uma escritura – ou mesmo um contrato, só começamos a pagar as prestações que foram pactuadas muito tempo – talvez uns dois anos – depois.
Cheguei a pensar que era um presente de Deus – depois vi que era mesmo!