Amizades antigas...

 

 

Com alegria incontida fui convidado para uma cerimônia de bodas de diamante – 60 anos de casados.

A coisa se deu assim: o telefone tocou.

- Pai – disse meu filho, - uma tal Marilda quer falar com você.

Claro, no momento não me lembrei de nenhuma Marilda.

- Alô – disse eu.

- Herci, eu sou a Marilda do Roberto, de Marília, lembra?

E eu, com cara de bobo, mas não querendo dar o braço a torcer, respondi.

- Sim... de Marília, né?...

- Pois é, Herci, nós estamos morando nos arredores de São Paulo e vamos fazer uma pequena festa para comemorar os sessenta anos de casados. Vai ser no mês de outubro. Você acha que vai poder vir?

- Vou colocar na minha agenda.

- Você se lembra da música que o coral de Marília cantou sob a sua direção no nosso casamento? - perguntou.

- Não, não me lembro... – respondi.

- Pois é – continuou ela, - de Marília fomos para Garça. Você ainda era solteiro. E você ia à nossa casa em Garça nos sábados para os ensaios, para cantar domingo na Igreja em Marília.

E eu matutando com os meus botões: que raio de história é essa?

Até aí, eu não estava ligando muito bem as pessoas e os fatos a mim. Na verdade, eram episódios muito antigos, como ela própria disse, de sessenta anos atrás ou mais.

- É, ensaiei. – Lembro-me de que ia a Garça com mais dois amigos – o Evandro e o Lucas – para ensaiar com o Roberto, mas nunca mais soube deste e nem consegui contato. Provavelmente mudou-se para outra cidade.

- Herci! Herci! Acorda! Eu sou a Marilda do Roberto e nós estamos morando mais perto de São Paulo agora.

Ai meu Deus! Só aí “caiu a ficha”. Eles eram a Marilda e o Roberto, os mesmos que eu procurara em vão, sem os encontrar. Creio que se ela tivesse dito Roberto "Oliveira” teria esclarecido logo a coisa.

Aí, minha atitude mudou:

- Sim, estarei na cerimônia com toda a certeza!

E completei:

- Eu bem que procurei vocês em Garça. Andei por toda a cidade, procurando especialmente entre os profissionais do ramo do Roberto, mas nada. Finalmente deram-me o endereço de um de seus filhos, mas pouca coisa ele acrescentou. Parecia que estava escondendo informações. Aí desisti.

- Então, Herci, agora em outubro haveremos de nos encontrar e matar as saudades. Passe-me o endereço, que eu vou mandar o convite.

A bem da verdade, cheguei a pensar que o Roberto havia morrido.

Tínhamos um quarteto masculino de qualidade e costumávamos cantar nos cultos da Igreja Presbiteriana de Marília. Com a ida do Roberto para Garça a coisa ficou um pouco difícil. Depois, foi o Gaudêncio assumir a sua carreira no Banco do Brasil, como eu. E, finalmente, o Licurgo, que bacharelou-se em Direito e veio exercer a profissão em alguma região da Grande São Paulo, se não me engano.

Quase não agüentei a emoção: descobri o telefone do Gaudêncio e liguei para ele no mesmo dia. Só o Licurgo ficou sem ser contatado...

Por cúmulo da coincidência, estes dias recebi um outro telefonema - do Walter. Coisa totalmente inesperada, pois depois que saí de Marília - lá pelo ano de 1959, - perdi contato com ele. E por mais coincidência ainda ele esteve na casa do Roberto, que foi quem lhe forneceu meu telefone.

Tive a surpresa de receber o Walter, que veio estes dias à minha casa juntamente com a irmã caçula, Pérola. A eles também - filhos de uma família muito querida, não via há mais de cinqüenta anos

Alegria em cima de alegria!...

Que saudades...

 

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