
Há poucos dias tive uma experiência inusitada.
Juntamente com Geraldino e Fuad, meus amigos, decidimos convidar outros amigos de Marília – terra comum a nós três – residentes na Capital para um encontro, onde pudéssemos nos rever e relembrar coisas e cenas do nosso passado ao tempo em que moramos naquela hospitaleira cidade interiorana.
Era indiferente, diga-se, que fôssemos ou não marilienses. Eu, por exemplo, sou mariliense de Minas Gerais, de onde vim.
Mas, mariliense é sempre mariliense – seja legítimo ou não. Seria uma boa razão para o encontro programado.
Eu, de minha parte, tendo saído de Marília há trinta anos, conhecia um grupo de pessoas hoje um tanto velhas, na minha faixa de idade (sessenta e cinco a setenta anos). O Geraldino, idem. Já o Fuad, um pouco mais novo que nós, conhecera outras pessoas. Todas, porém, muito importantes para nós.
A coisa toda começou com uma reunião entre nós três, que ficamos sendo "os organizadores". Em seguida veio a escolha do local e que tipo de reunião seria – almoço, jantar, pizza?
O passo seguinte era lembrar e anotar os nomes e, se possível, endereço, telefone, e-mail, etc. daqueles que fossem sendo lembrados.
Essa foi a parte menos trabalhosa: simples registros em planilha do Excel, com a finalidade de facilitar tudo.
O mais difícil e complicado viria a seguir – fazer os contatos e saber se o contatado iria ou não ao encontro. Dividimos a relação com os nomes em três partes, cada um se encarregando de uma quantidade de nomes.
Aí começaram as surpresas. "Ah!, Fulano não está morando em São Paulo", "Sicrano mudou de endereço", "o telefone de Beltrano não é mais aquele".
E começamos a tomar contato, também, com aqueles de nós que já não mais estavam aqui, mas "na glória". Foram algumas surpresas desagradáveis e tristes. Acidentes, velhice, doenças levaram alguns dos nossos amigos... Foi o caso do Dr. Bozzato, advogado famoso, ou de um primo meu, chefe de redação das revistas "Veja", e "Exame" por muitos anos. Ou ainda daquele radialista e dos amigos (e visinhos de rua em Marília) João e José e do Marildo, grande incentivador desse tipo de reunião.
Mas, quê fazer, algumas vezes a vida nos prega verdadeiras peças.
Por outro lado, víamos na relação nomes queridos e gratos de pessoas que teríamos, quem sabe, oportunidade de reencontrar.
Ah!, aqui está: o Tachinha (Tetsuo Okamoto - nome verdadeiro), ex-nadador e campeão brasileiro dos anos '50. E o Fausto Canova (também nome verdadeiro), radialista que veio fazer sua fama na Capital, com programas voltados para a música. Ou o pessoal do Banco do Brasil residente na Capital e tantos outros. Ali estavam os nomes de médicos de renome na Capital, ou dentistas de sucessos. Além do do Dr. Damásio Evangelista de Jesus, "papa" do Direito Penal pátrio.
Mas nem todos confirmaram a participação. Ao contrário, a maioria não pôde participar por motivos pessoais (viagem, operação da esposa, outro compromisso importante).
Aí, então, chegou o esperado dia. Decidimos fazer o encontro em um restaurante nas imediações da Avenida Paulista, onde era servida comida por quilo.
Na tarde aprazada ali estávamos: um grupo de pouco mais de vinte pessoas, marilienses de coração e paulistanos por adoção.
E cada um lembrou-se de levar algo que pudesse avivar a nossa memória e alegrar o nosso coração, como fotografias e recortes de jornais.
Somente foi uma pena que tão poucos tivessem atendido à nossa convocação. Quem sabe se, para a próxima, com mais tempo para convidar, teremos oportunidade de reunir um número maior.