Advertência

 

Estejam atentos aqueles que no Senhor amam a sua bondade e temem a sua verdade. Realmente o Senhor é piedade e retidão (Salmo 24:8). Gostas de que ele seja bom; temes, porque ele é reto. Em sua bondade ele disse: Calei-me, mas porque é justo, acrescentou: Hei de calar-me sempre? (Isaías 42:14). O Senhor é misericordioso e compassivo (Salmo 85:15). Sim, é verdade. Acrescenta ainda: lento para a cólera (Salmo 85:15), e prossegue: e rico em misericórdia (Salmo 85:15); mas teme o que é dito em último lugar: e cheio de verdade (Salmo 85:15). Sim, aqueles que ele suporta agora como pecadores, ele os julgará por terem-no desprezado. O Senhor é bom, o Senhor é lento para a ira, o Senhor é misericordioso, mas o Senhor é também justo e cheio de verdade.

 

Ele concede tempo para te corrigires, mas preferes desfrutar dessa trégua a te converteres. Foste mau ontem, sê bom hoje: passaste este dia no mal, ao menos amanhã muda de conduta. Esperas sempre e prometes a ti mesmo muita misericórdia de Deus, como se aquele que te prometera o perdão na penitência tivesse te prometido uma vida ainda mais longa. Como saberás o que te está reservado para amanhã? Tens razão ao dizer em teu coração: «Quando eu me corrigir, Deus perdoará todos os meus pecados». Não podemos negar que Deus prometeu seu perdão aos que se corrigirem e se converterem. Mas, na realidade, no Profeta, onde lês que Deus prometeu o perdão a quem se corrige, não lês que ele te prometeu uma vida longa.

Os homens se acham, assim, em perigo dos dois lados, esperando como desesperando; duas coisas opostas, dois sentimentos contrários. Quem foi decepcionado em sua esperança? Aquele que diz: «Deus é bom, Deus é misericordioso, posso fazer o que quiser, tudo que me é agradável. Vou soltar as rédeas às minhas paixões, vou satisfazer os desejos de minha alma. Por quê? Porque Deus é misericordioso, porque Deus é bom, porque Deus é cheio de benevolência». Esse se acha em perigo por causa da esperança. Mas há os que se desesperam, os que, após terem caído em pecados graves, acham que não podem mais ser perdoados caso se arrependam. Consideram-se como que definitivamente destinados à condenação e dizem em si mesmos: «Já que seremos condenados, por que não fazer tudo o que quisermos?». 

 

http://www.osb.org.br/lectio.htm

 

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