
"Sê minha ajuda. Não me deixes, nem me desprezes, ó Deus meu Salvador". David (Salmos).
Dois doutores passeavam, certa vez, pelos confins da Palestina quando viram aproximar-se deles um féretro. Compreenderam que se tratava de algum israelita que, tendo morrido longe da pátria, era levado para ser sepultado na Terra Santa.
Um dos doutores comentou irônico:
- Que tolos! De que serve isso? Esses imbecis incidem precisamente na censura do Profeta: "Enquanto a vida vos anima, a Terra de Israel é para vós um opróbrio; e depois, quando de vossos olhos a luz se apaga vindes macular o nosso chão com os despojos de vossos cadáveres!".
- Não me parece razoável a tua crítica - discordou, em tom sereno, o companheiro. - Afirmo-te que um simples torrão da terra sagrada caindo sobre o féretro redime por completo o morto do pecado de ter vivido em país estranho. Proclama o profeta que esta terra purifica o seu povo.
E concluiu inspirado numa voz quente de persuasão:
- Possuir a sepultura em Terra Santa equivale a possuí-la sob o altar.
(Figura esse trecho no Talmude de Jerusalém - capítulo 2. O israelita que vive longe da Palestina deve possuir um pouco da terra santa. Em caso de morte é essa terra colocada pelos amigos piedosos no esquife daquele que a vida forçou a viver em país estranho. O bom judeu leva assim consigo, para o túmulo, um punhado da terra sagrada).
("Lendas do Povo de Deus")